domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sã e salva


Eu quero mais.
Tanto que chega a doer.
Eu voltei ao estado de não me incomodar com o fato de que todos estão na rua se divertindo, criando memórias, vivendo a vida atrás de um trio.
Eu tenho meus livros.
Pode parecer conversa de Bridget Jones, mas não é.
Eu devo ser o ser humano mais suscetível à músicas e livros em todo o planeta terra.
Cada sirene é uma sinfonia; cada lágrima é uma cachoeira
Não é muito bom.
Mas tampouco é ruim.
Uma coisa sobre os livros, é o fato de que eles nunca me abandonam. Nunca.
Em hipótese alguma.
E sobre criar memórias, eu nunca poderia criar memórias mais maravilhosas do que essas que eu construí através de todos esses livros que tocaram minha alma e mexeram com minha vida. Muito menos atrás de um trio.
Eu quero mais.
Seria legal viver, mas eu não posso e não vou me aquietar por pouco.
Pouco não é o suficiente.
Pouco não dá pra mim.
Isso quer dizer que eu corro o risco de viver uma vida vazia?
Talvez.
Mas Deus sabe as batalhas que já travei, os romances que já tive, as vidas que já vivi e os amigos que já perdi.
É tudo meu e de mais ninguém.
E se eu pudesse voltar no tempo, eu agradeceria a pessoa que me ensinou a ler.
Eu devo algumas das minhas vidas a você.
Sem você eu provavelmente estaria agora atrás de um trio.




"Não se atreva a olhar pela janela, Querido
Tudo está pegando fogo.
A guerra à nossa porta continua,
Segure-se a esta canção de ninar.
Mesmo quando a música se for,"

Safe and sound - Taylor Swift

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Adormecer


É muito engraçado essas coisas da vida, man...
Sério... de repente você vê algo, alguma coisa que te remete a alguém e depois esse alguém te remete a outras coisas e sensações que você não lembrava que uma vez pôde sentir.
Nessas horas você consegue colocar no papel tudo o que tá te atormentando no momento, e consegue uma visão mais clara das coisas.
Eu acho que amei muito Cleosvaldo. Serião.
Mas era um amor meio tosco, eu não me imaginava com ele, eu nunca na vida pensei que daria certo.
E não deu.
E aí agora eu vejo ele por aí, vivendo a vida, uma pessoa completamente diferente daquela que eu conheci.
Mas tudo bem, eu devo ter mudado também.
Stalkear não é uma arte de Deus.
Mas, ó, cinco anos depois e eu ainda consigo lembrar da sensação de segurar a mão dele.
E isso é surreal.
Lembro da voz - como era, não como deve ser hoje -, lembro da textura do cabelo, do nariz torto.
Lembro de como ele andava, meio estranhinho; lembro de como a calça da escola ficava meio curta e deixava a meia aparecer; lembro de como costumava segurar um dos braços pra trás, sempre que ficava em pé.
Lembro de tudo.
E eu nunca lembro de nada.
Mas sabe o que é mais engraçado? É que eu não sinto nada com todas essas lembranças.
Eu posso até lembrar de como era sentir tudo o que eu sentia por ele, através de cada música que eu escrevi, cada texto escrito na última matéria do caderno... mas eu não posso sentir o que eu sentia.
Não consigo.
E é engraçado.
Hoje eu sei que Cleosvaldo vai me servir de referência, pelo bem ou pelo mal.
Eu vou passar a vida tentando encontrar aquilo que eu sentia quando olhava pra ele.
Talvez eu nunca sinta aquilo de novo. Talvez a vida me surpreenda com um: "você ainda não viu nada, criança..".
Vai saber...
Mas eu tenho tanto medo de tudo, com a certeza de que eu cheguei atrasada nesse mundo...
Há alguns anos atrás eu nunca imaginaria que isso ia acontecer.. mas tudo passa.
Tudo.
E hoje eu entendo a proporção desse sentimento na minha vida.
E que, acima de tudo, sentimentos também somem.
Adeus, menino.
Já tá na hora de jogar fora aquela sua tesoura. Ela nem serve mais.
Espero que você tenha orgulho de dizer aos seus filhos e amigos que um dia foi meu amigo.
Vou fazer de tudo pra ser essa pessoa.
De vez em quando eu ainda escuto você me chamando de Potter.
Sempre arranca um sorriso meu.
Dorme em paz.




"Você se foi daqui
Logo você irá desaparecer
Sumindo em uma luz bonita
Porque todo mundo está mudando
E eu não me sinto bem"

Everybody's changing - Keane

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

I think I'll go to Boston


A cada dia que passa eu sinto que vou me fechando ao redor de mim mesma.
É uma vontade tão sufocante - esta, que me envolve - de sair por aí, de conhecer cada pedaço desse mundo.
É uma dor pensar em ir.
É uma dor pensar em ficar.
Já vou fazer 21. O tempo corre quando você se entretêm com o nada, meu bem.
E mais uma vez, eu daria meu reino por aspirações cotidianas, mas nasci com sonhos maiores do que eu, e uma vontade sobre-humana de perseguir o que eu quero.
Não tem nada que me prenda aqui. Nada.
Eu quero ir pra Nova York. Me entorpecer nas luzes da Times Square.
Quero me hospedar nos últimos andares de hotéis de grandes cidades.
Quero conhecer o campo. Islândia.
The Northern Lights.
Quero andar pelas florestas escuras da Estônia, caminhar pelas ruas da Noruega.
Quero ver o que tem de tão interessante em Paris. Me sentir menininha nos campos da Irlanda.
Quero passear por Londres à procura de inspiração - e talvez Hogwarts.
Quero visitar a Califórnia quando tiver triste.
Quero ir pra Boston, quando precisar me encontrar.
E quando eu tiver ido à todos esses lugares, eu quero ter pra onde voltar.
Quero uma casa minha. Clara. Com uma cama gigantesca. Com um mapa mundi na parede.
Eu não quero reuniões do escritório. Não quero churrasco no domingão pra os amigos do meu marido. Não quero ter que arrumar a casa todos os dias. Não quero dias entupidos com o trabalho e feriados programados.
Eu quero viver.
Eu quero me surpreender com a vida.
Quero não saber o que vou fazer no próximo final de semana, com a certeza de que, seja lá o que for, pode ser bom ou ruim, mas eu vou fazer alguma coisa.
Quero burlar as leis que a gente cria sem se dar conta.
Quero sair numa segunda-feira à tarde e trabalhar num domingo de madrugada.
Eu quero transgressão, eu quero tradição, eu quero tudo o que me fizer sentir o que de fato é viver.
Todos falam, poucos vivem. Muito poucos.
Eu quero mais.
Esse é meu pecado, essa é minha salvação.
Se eu não nasci pra esse mundo, só me resta explorar.
Eu quero um telescópio. Quero ouvir línguas diferentes.
Eu quero ir pra lua.
Eu quero ir pra Boston.

Mas mais uma vez: dói pensar em ir; dói pensar em ficar.



"Ela diz eu acho que vou para Boston...
Acho que vou começar uma nova vida,
Acho que vou começar de novo, onde ninguém sabe meu nome"


Boston - Augustana


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

dayfuckingdreaming


Eu sou muito inútil, taquepariu
Mas phoda-se, man, ligo pra nada disso não
Queria ter o talento, mas nasci desprovida
E esse lado que eu tenho, esse lado meu, esse lado phodido, vai ficar aqui, quietinho, escondido, esperando a próxima lição de moral
Foda-se.
I'm de boa rolling in the deep.
seja lá o que isso queira dizer.
Eu tinha tanta coisa pra dizer que to me sentindo tão estúpida por ter perdido todo o foco no fim das contas kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Acabe com essa droga de uma vez, seu Zé
Aonde foi parar minha cabeça, gzuz?????????????????????
Eu espero demais
Eu quero demais
Mais
Deus do céu
Injusto isso aí
Injusto demais
Mas eu vou vivendo nessa merda
Meio babaca, meio soberana e o resto de gordura mesmo.
Termino por aqui.


"...minha alegria é triste..."

As canções que você fez pra mim - Roberto Carlos

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

20 anos de merda


Ainda tô esperando aquilo que chamam de vida
Ainda tô esperando por alguma coisa boa, indolor, colorida
Já não posso mais viver na minha cabeça
Não dá
Não aguento
Mas aqui fora dói tanto
Tanto
Tanto
Ainda to esperando John Hughes
Ainda to esperando por alguma coisa boa
Alguma alegria
Alguma conquista
Alguma coisa minha
Mas eu não tenho nada, eu não sou ninguem
Na minha cabeça eu sou dona do universo
Sou rainha, sou princesa, sou o que eu quiser
Mas na minha cabeça ninguem entra
Graças a Deus

Eu me pergunto o que fiz de tão terrível
Me pergunto se existe justiça na terra
Me pergunto se tudo o que me ensinaram sobre colher o que se planta realmente é verdade
E é inútil, eu não sei nada
Tudo o que eu vejo são fatos
Eu continuo na merda
Nada de maravilhoso me aconteceu até agora
Fica difícil levantar da cama a cada dia que passa
E quanto mais tempo se passar, mais minhas expectativas vão se tornar impossíveis
Tudo culpa minha
Por querer demais

Eu sempre quis demais
Não é justo me permitir nascer assim
Com esses sonhos tão maiores que eu
Com uma mente que não se satisfaz com um mundo só
Se eu nasci pra conseguir nada.
Não foi justo.

Eu não preciso de justiça
Eu preciso ir embora
Deus sabe pra onde

Eu até tentei me preocupar com essas coisas que a galera costuma se ocupar, viver e morrer
Mas foda-se, sabe..
No fim do dia só sobra eu aqui comigo
Grandes merda todo o resto

Quanto mais eu vivo mais eu vejo que meus objetivos se afunilam
Eu ainda tinha esperança de que alguém viria de algum lugar me salvar
Mostrar que as coisas não são bem assim
Que ainda existe luz e etc
Mas não tem, sabe?
Não tem mesmo.
Inútil esperar.
De todos os sonhos que eu já ousei ter nesses 20 anos
Tudo o que eu quero, hoje, é dinheiro
E foda-se se eu vou parecer mesquinha só porque todo mundo acha lindo quem procura amor e felicidade.
Eu quero dinheiro.
É esse meu objetivo na vida.
E depois eu procuro o resto, se eu ainda quiser alguma coisa.

Dinheiro não traz felicidade - pobreza também não
Dinheiro não comprar amor - pobreza muito menos
Dinheiro não traz saúde - morra no sus

Eu quero dinheiro.
E o tempo pra o resgate já se acabou.
Eu, por mim.




And so being young and dipped in folly I fell in love with melancholy.

Edgar Allen Poe









"Você tem um carro veloz
Mas é rápido o suficiente para que você possa voar para longe?
Você tem que tomar uma decisão
Você partirá essa noite ou morrerá desse jeito?"


Fast Car - Tracy Chapman

sábado, 31 de dezembro de 2011

2012



O começo do fim.
E eu não sinto nada.
É oco. É vazio.
Outra vez. Tudo de novo.
Nada muda.
Vamo em frente.


"Nos braços de um anjo vôo pra muito longe daqui,
Deste quarto de hotel, escuro e frio, e da imensidão que você teme.
Você é puxado dos destroços do seu devaneio silencioso
Você está nos braços de um anjo; talvez você encontre um pouco de conforto aqui."

In the arms of the angel - Sarah McLachlan

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Passageiro


Tristezinha véia safada que me acompanha aonde quer que eu vá..
Muuuita vontade de ir pra casa.. muita mesmo..
Mas qual o propósito?
Pelo menos aqui eu tenho a desculpa de estar longe.
Sempre dá pra culpar a distância no fim das contas.  Sempre dá.
Mas minha alma grita de saudade de tudo o que eu sempre achei ordinário mas que agora ganhou uma importância e um valor absurdo.
Tome na cara, Sanoyara. Tu merece, fia.
Mas eu sei que é passageiro. É tudo passageiro nessa merda.

Pensando um monte de coisa.
Concluindo nada.
Achei que não sabia lidar, mas eu soube.
Talvez eu também saiba lidar com todas as outras coisas que eu tenho certeza que não sei lidar, também.
No fim das contas, a gente só sabe se tentar.
Mas, mais uma vez, não vejo ninguém afim de se molhar.

2012.
Grandes merda, hein, Brasil?
Quero minha mãe.
Serião.
Quero tudo o que é familiar, e quando eu tiver tudo o que é familiar, vou querer tudo o que for novo e estranho.
Porque é assim que eu sou e tá tudo certo, embora doa.
Eu sei que há formas bem mais fáceis de resolver toda essa situação, mas não hei de resolver, porque eu sou eu e você é você.
A gente sabe o que é certo, a gente sabe o que quer, a gente só tem medo de agir, porque as consequências são sempre desconhecidas.
Nunca se sabe o que a gente vai ouvir.
Eu sei bem disso.
Eu sei de nada.

E já que é de praxe, se é pra desejar alguma coisa nesse novo ano, eu desejo um rumo.
É isso.
Pra 2012,
um rumo,
um remo,
e força pra atravessar o rio sozinha.


"Mas já não sei se quero
Pois o teto 
Sempre cai em mim
É melhor ter ninguém..."





É melhor ter ninguém - Gram

domingo, 25 de dezembro de 2011

master of sorrow


Momento estranhíssimo da minha vida.
Queria falar um monte de coisa, mas não tem nada, nadinha a ser dito.
É aquele tal do não ter o que fazer.
Não tem mais nada a ser feito.
Mas ó, sobrou um monte de lugar pra ir e um orgulho intacto.
Acredito que eu esteja até com uma vantagem boua.
Eu sei que vou conseguir.
Eu ainda acredito em mim.
Tá tudo certo.



"Eu não entendo seu coração
É mais fácil, ficar afastado

Nós podemos muito bem ser estranhos em outra cidade
Nós podemos muito bem estar vivendo num mundo diferente
Nós podemos muito bem... 
Nós podemos muito bem ser estranhos ser estranhos

Por tudo que eu sei sobre você agora"

We might as well be strangers - Keane

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Distance


Eu achei que fosse sentir mais, mas não
Achei que fosse doer e tals, mas não
Espero que não encarem como um desafio
Tá tudo bem assim.
Não esperava muita coisa mesmo...
Tá tudo bem assim.




"Eu queria que pudéssemos simplesmente desistir
Porque a melhor parte está caindo
Chame isso de qualquer coisa, menos amor"

Christina Perri

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ela tem o poder



Sabe,
essa coisa de alegria não é pra mim.
Não é drama nem nada, só não é pra mim.
Eu não quero mais ter que aguentar essas coisas não.
Ela tem o poder de deixar tudo o que é bom parecer ruim.
E eu sei que eu dei esse poder a ela.
A diferença é que eu fico só. Sempre.
Observando o resto do mundo comentando sobre uma vida que eu nem tenho.
Não tem sentimento bom que dure hoje.
E eu descobri o quanto odeio inferências.
Tem gente que nunca aprende.
Eu só tenho um blog.
Quando as coisas ficam complicadas demais eu preciso pular fora.
Sabe, tem uma diferença entre aparentar estar bem e não ser sincera.
Tem uma diferença entre fechar a cara e deixar que percebam quão puta você está.
Se a gente ao menos parasse de olhar pro próprio umbigo e pra própria dor...
Mas não, né?
Só porque você sofre não quer dizer que eu não tenha que parar de olhar pro meu sofrimento.
E vice-versa-vice-versa.
Mas sabe o que mais me incomoda?
Ver declarações que nunca foram dadas se espalharem pelo vento.
E se fosse amor?
E se eu desistisse de tudo?
E se eu abrisse mão por causa de tanta pressão?
Me pergunto todos os dias.
Ninguém tá me ajudando. Nem de um lado nem do outro.
E no fim das contas, não sou eu que rio.
Riem de mim, debocham de mim, falam de mim, e eu não posso me defender.
E não posso agir de forma alguma.
Se ficar puta - não tenho o direito de ficar puta.
Se ficar de boa - sou uma falsa mentirosa e insincera.
Aí a gente some.
A gente some quando der.
A gente some quando puder.
De tudo e de todos, até de quem a gente não queria fugir.
Tudo ficou ruim. Eu preciso parar de me sujeitar a isso.
Em nenhum momento houveram 'sacrifícios pela minha felicidade' como aparenta não, nada disso.
Tem uma distância bem grande entre o falar e o fazer.
O que você fala é só o que você fala.
Qualquer dia eu vou me encher tanto de gente de todo o tipo que vai ficar insuportável viver.
E aí ninguém vai precisar se sacrificar pela minha felicidade, só vai precisar morrer e tá tudo certo.
E eu não vou incomodar ninguém e ninguém vai ser incomodado.
E se algum dia eu chegar a amar alguém, eu vou lembrar que esse alguém é gente, e eu não gosto de gente.
Gente não vale a pena.
Nunca passou pela cabeça o porquê de eu ainda insistir nele?
Pra que perder tempo com o sentimento alheio?
Phoda-se.
Se vira pra dor de dentro e vai. Daqui a pouco eu me encho e vou também.
Tá estragando tudo.
E eu nem tenho pra quem reclamar.

Ninguém nunca vai entender o quanto eu sou só.
Não só por me manter só, mas por permanecer, não preciso falar.

Ninguém vai me ouvir chorar haha
eu não choro
eu não me importo
eu sou boazinha
eu sou fria como gelo

e você acha que me conhece.



"Você se sente da mesma forma que eu me sinto agora?
Eu queria que pudéssemos simplesmente desistir
Porque a melhor parte está caindo
Chame isso de qualquer coisa, menos amor"



Distance - Christina Perry